na contramão e sem pressa: slow shopping

Já foi sinônimo de sucesso ser a pessoa super ocupada, que não tem tempo para nada, que vive na correria, que está sempre emendando uma reunião em outra, que é super solicitada ao telefone, que é obrigada a terceirizar praticamente todas as suas atividades pessoais por simplesmente não ter tempo.  Não parece no mínimo incoerente considerar que viver assim seja considerado algo positivo? Em alguns meios essa cultura ainda é incentivada, mas há uma forte tendência que incentiva justamente o cenário oposto ao descrito: o movimento Slow.

O conceito é super abrangente e engloba diversas áreas desde gastronomia (slow food – que trata inclusive sobre cultivo de alimentos, conceito farm to table, ecogastronomia), urbanismo (slow cities), moda (slow fashion – em contraponto ao difundido conceito do fast fashion), entre outras.

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Uma espécie de péra gente, vamos pensar melhor em tudo que estamos fazendo da nossa vida, nossas relações, nossos recursos que são extremamente limitados. Esse viver com consciência é uma prática que prega encontrar a calma através da conexão com o presente, com o momento.

No cenário da cultura de consumo surge então o slow shopping: um conceito que sugere uma nova maneira de comprar e vender, através de um replanejamento da loja como um todo, desde o tipo de serviço oferecido e o relacionamento com o consumidor até o ambiente físico e preocupações sobre origem dos produtos oferecidos, sua pegada ecológica e rastreamento da cadeia produtiva. Slow shopping visa modificar a atual dinâmica de consumo, promovendo consciência de consumo e resgatando o ritmo que é necessário para entender o produto e sua necessidade em nossas vidas.

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Conceito de Slow Design (Fonte: Pinterest)

Para promover uma experiência de slow shopping no varejo lançamos mão do slow design entre outras estratégias. No início do mês estivemos no Design Meeting, um evento que ocorreu dentro da Expo Revestir e participamos da palestra com o Manoel Alves Lima, da FAL e vice presidente do RDI Brasil (Retail Design Institute) sobre experiência na ambientação de varejo sob a ótica do slow shopping . Os cases da T2 Teashop, Muji e Casa Bauducco foram abordados nessa palestra.

Como funciona uma loja dentro do conceito slow shopping?

Espaços Inclusivos

O espaço é pensado para atender às pessoas de maneira que possam ter um tempo para pensar. Haverão assentos extras na loja e pontos de assistência, devidamente sinalizados, onde o consumidor pode pedir ajuda à equipe da loja. Isso pode incluir pessoas que sofrem de ansiedade, dificuldades de comunicação, idosos, pessoas com dificuldades visuais, ou seja, um espaço inclusivo.

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Slow Revolution Pop Up Shop by Federica & Co. em Madrid, Espanha (Fonte: Time Out Magazine)

Histórias verdadeiras

De onde vem o produto que está sendo oferecido? Quais os impactos dessa produção? O consumidor hoje quer saber e isso interfere na sua decisão de compra, amanhã será informação imprescindível. Se adiantar é já contar essa história, de maneira visual, através da sua equipe, através dos seus produtos.

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T2Shoreditch / Landini Associates (Fonte: Archdaily)

Vencedor do prêmio Store of the Year no RDI Awards de 2015, o projeto da loja de chás da marca australiana T2 no bairro de Shoreditch em Londres foi o primeiro ponto de vendas internacional da marca. Desenvolvido pelo escritório Landini Associates, de Sydney, proporciona uma experiência única e relevante. A loja, assim como a marca, é uma celebração da centenária arte de fazer e apreciar chá. Uma enorme biblioteca com mais 250 variedades de chás proporciona ao consumidor uma verdadeira imersão nos conhecimentos e blends de todo o mundo. No coração da loja mesas de experimentação e mesas aromáticas convidam a experimentar e descobrir aromas e texturas dos ingredientes que compõem os produtos. Para coroar, um bar de infusão, onde o chá é preparado por um especialista na hora.

Se por trás de seus serviços e produtos há uma história marcante, impacta positivamente as famílias que produzem, é feito a mão, tem uma missão de empoderamento, spread the word, será uma missão muito fácil (e a gente pode te ajudar). Se não tem nada nadinha que possa ser motivo de uma história pra contar com orgulho, meça seus slow conceitos, parça talvez seu negócio não se enquadre no conceito Slow e criar histórias falsas coloca toda sua credibilidade a perder. Se a história tá mais pra mais uma na multidão, encontre aspectos únicos que te ajudem a contar essa história de maneira cativante (nisso a gente também pode te ajudar, nos procure) no seu ponto de venda.

No projeto da Casa Bauducco, espaço dedicado à marca no bairro dos Jardins, em São Paulo, autoria da FAL, a ideia é trazer o consumidor para o universo da marca. “O projeto busca o conceito de uma verdadeira “Forneria italiana”, um lugar onde as pessoas pudessem apreciar e comprar receitas especiais de panificação italiana com aspecto caseiro. Assim, a “Casa Bauducco” utiliza sua herança nostálgica e os cinco sentidos para trazer à vida a culinária com aspecto artesanal italiano.”

Identidade Cultural

Q movimento Slow é considerado um estilo de vida, quase uma filosofia. Outros aspectos como rastreabilidade, integração com a natureza, rebaixamento de expectativas são pilares importantes para o público que busca esse estilo e é importante que isso seja comunicado de maneira clara no espaço de consumo.

A marca japonesa e minimalista Muji abriu recentemente uma flagship em Nova York onde leva aos americanos artigos de casa, roupas e praticamente tudo que pode ser necessário para casa com preços acessíveis e design de qualidade. Na loja há uma estação de bordados para customização, o aroma lab onde se pode criar uma essência exclusiva para difusores entre 48 tipos diferentes de elementos olfativos, além de uma estação para embalagens personalizadas do tipo faça-você-mesmo. Uma vida simples e despretensiosa sem abrir mão da qualidade, conforto e design é o que eles acreditam. Não há rótulos e como inspiração usam o elemento água: insípida, inodora e incolor, porém indispensável para a vida.

No final das contas o slow shopping é amplamente determinado pela experiência de consumo no ponto de venda (olha aí como esse tema – experiência – é onipresente no varejo, já falamos sobre ele aqui e aqui também).

Deixo vocês com a reflexão de Carlo Petrini, fundador do movimento Slow food:

É inútil forçar os ritmos da vida. A arte de viver consiste em aprender a dar o devido tempo às coisas.

Vamos com calma e com alma, e se precisar, conte com a gente!

Abraços demorados!

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