muito além do foodtruck: versatilidade sobre rodas

Os furgões colocaram o pé para fora da cozinha e se tornaram opções acessíveis e versáteis para empreender em diversos segmentos do varejo.

Já temos visto foodtrucks pelas ruas de São Paulo há alguns anos agora, assistimos o boom desse modelo de negócio focado no setor de alimentação entre 2014 e 2015. Eles seriam a evolução gourmetização dos carrinhos de cachorro quente e prensado que sempre vimos por aí, nas regiões empresariais, próximos às estações de metrô e rodoviárias, na frente dos estádios. Acredito que um dos pioneiros desse movimento tenha sido o Rolando Massinha, que atendia há 8 anos na Av. Sumaré. Você conhece? A regulamentação ainda é polêmica. No ano passado a subprefeitura da Lapa proibiu que ele continuasse atendendo naquele espaço e ainda não tenho notícias se pode retornar. Ele passou a atender em espaços de foodpark e eventos corporativos, até que o ponto na Sumaré seja disponibilizado para o seu retorno. O comércio itinerante, após decreto municipal em 2014, só pode operar em locais previamente autorizados, o que é um pouco incoerente com o próprio conceito “itinerante” dos estabelecimentos sobre rodas.

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Rolando Massinha, pioneiro em comida de rua em São Paulo (Foto: Divulgação)

Até mesmo restaurantes com chefs renomados passaram a oferecer seus pratos ou versões mais simplificadas deles nesses furgões, normalmente estilizados por designers. Essa mobilidade e possibilidade de apresentar uma experiência diversa sugere uma nova interação com as pessoas que muitas vezes resulta em conquista de novos clientes. Pra nós esse foi o caso do Bra.do, restaurante que fica em Pinheiros e conhecemos através do seu foodtruck no já extinto foodpark ao lado da estação de metrô Marechal. A experiência com o hambúrguer e as famosas batatas bravas do trailer (que eles chamam de Brado de Rua, procure pela #bradoderua no Instagram) foi tão positiva que algumas semanas depois visitamos o restaurante para conhecer os pratos mais elaborados. (By the way, recomendo muito, por motivos de cozinha consciente com controle de procedência, pet friendly e jazz na varanda. Vinho sensa! Mas vamos voltar ao assunto… rs)

Da fazenda para a kombi

Outra ideia que me pareceu incrível é a da Komborgânica. Funciona como uma mini feira de orgânicos, itinerante (agenda semanal na fanpage) que uniu a demanda de mercado – quem consome orgânicos sabe como é complicado encontrar fornecedores confiáveis a preço justo – e um empreendimento de empoderamento. Empoderamento no sentido de dar poder de escolha para um consumo cada vez mais consciente e também se trata de empreendimento pós-maternidade. Conheci através desse post no Projeto Draft. Confiram um trecho da publicação de Silvia Feola, no Estadão:

A ideia do projeto, chamado de Komborgânica e encabeçado por Joana Ricci e Mario Junior, é tornar os produtos orgânicos – frutas, legumes, pães, bolos, geleias, entre outras coisas – mais próximos do cotidiano das pessoas. A Kombi percorre todas as regiões da cidade, funcionando como uma feira móvel. Ainda que possua 8 pontos fixos na semana, o itinerário opera todos os dias, por algumas horas, em lugares variados, os quais são divulgados semanalmente através de suas mídias sociais. (…) Um pouco como as hortas em cima do topo de prédios – cada vez mais comuns em grandes cidades como Nova York – a Komborgânica mescla o público e o privado, já que mesmo aqueles que não são moradores têm acesso à compra dos produtos.

Beleza na mesa

Com a especialização de fornecedores e familiaridade do público com o modelo, algumas marcas de moda, acessórios e beleza já vem experimentando com trailers, tanto em ações de marketing como ponto de venda mesmo. Como arquiteta do Grupo L’Occitane, fiz parte da equipe responsável pela ativação do trailer da marca de cosméticos L’Occitane au Brésil, da concepção visual à implantação e operacionalização. Posso dizer que o grande desafio foi encontrar os fornecedores para tornar esse projeto real. A primeira experiência como ponto de venda, de fato, aconteceu no Shopping Iguatemi Alphaville, durante um período de 30 dias no mês de dezembro. O trailer foi concebido para uso em ações de marketing, mas o interesse dos franqueados no modelo inusitado cresceu rapidamente, então o projeto foi adaptado para PDV.

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Trailer L’Occitane au Brésil, sua concepção segui o mesmo conceito das lojas – feira de rua. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para uma rede como a L’Occitane existem algumas dificuldades operacionais, como licenças, questões fiscais, técnicas e de gestão de pessoas devido ao caráter itinerante desse ponto de venda. Para um lojista independente, um empreendedor, alguns desses fatores se tornam problemas menores, ou mesmo vantagens. É tudo uma questão de estilo de vida de quem conduz o negócio. A necessidade de mobilidade se torna uma vantagem do negócio. Estar em diversos lugares e eventos gera brand awereness, inegavelmente. Além disso, os custos envolvidos são bem menores do que uma loja tradicional.

A Benefit, marca de cosméticos que já possui certo grau de irreverência em seu DNA fez a experiência com o veículo que eles chamam de Benebus. em uma das ações, Pimp my Brow, eram oferecidos serviços de beleza especializados. Seus quiosques de aeroporto também possuem linguagem visual que sugere um veículo e são chamados de Glam Truck.

Moda e estilo de vida

Nos Estados Unidos, marcas independentes exploram o nicho: são micro-ônibus, trailers e furgões que fazem as vezes de loja de acessórios, sapatos, roupas – novas e secondhand, que é outra tendência forte dos novos e escassos tempos. Também encontramos uma floricultura e até uma tabacaria.

A Biggest Little Fashion Truck, da pequena cidade de Reno no estado de Nevada, nos EUA, foi uma boutique fashion sobre rodas que participava de feiras e eventos, sob demanda. Eles faziam parcerias com locais e assim como a Komborgânica divulgavam seu itinerário através das redes sociais. Infelizmente a marca deixou de operar em 2013, não encontrei os motivos explicados, mas imagino que uma cidade de pequeno porte seja particularmente difícil para esse modelo. Com certeza não foi pela falta de charme da loja.

Mas não desanimem, temos também case de sucesso: a marca ARTichoke, sediada em Cape Code no estado de Massachusetts, EUA. Criada por duas irmãs de maneira independente com colaboração de artistas, teve seu início justamente com o Apparel Bus, que foi o primeiro ponto de venda da marca em 2012.  Hoje, a dupla possui uma loja permanente e o ônibus continua em operação para eventos de moda e arte. Elas também vendem online.

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ARTichoke Bus (Foto: Divulgação)

Transformar um antigo caminhão de sorvetes, da década de 70, numa loja itinerante de flores foi a proposta das proprietárias do The Flower Truck, que circula na cidade de Los Angeles, no estado da California, EUA, desde 2011. Além da venda e delivery das flores, também participam de eventos sob demanda. Olha que fofura!

Ná prática

Os custos para colocar uma tradicional loja de rua ou de shopping em operação podem ser assustadores e impraticáveis para empreendedores de primeira viagem. Um e-commerce pode ser uma opção, porém alguns empresários não abrem mão do velho cara a cara com o cliente, e nesse caso um trailer, furgão ou bike podem ser a solução.

Para transformar uma bike para ser utilizada como ponto de venda os custos podem variar entre 3 a 15 mil reais, enquanto operacionalizar um furgão ou trailer pode custar entre 60 e 360 mil reais. As variações se deve ao nível de complexidade das instalações e escolha de fornecedores.

Conhece alguma loja assim? Mande pra gente conhecer nos comentários.

Se deseja montar uma loja nesse formato, entre em contato conosco.

Fontes:

http://projetodraft.com/nao-e-foodtruck-e-uma-kombi-vendendo-organicos-por-ai-conheca-a-komborganica/

http://projetodraft.com/ha-futuro-apos-a-febre-do-food-truck-o-pioneiro-los-mendozitos-aposta-no-nicho/

http://www.entrepreneur.com/slideshow/226734

 

 

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